quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Não faz sentido...

 

   Nada mais pertinente que começar a escrever neste espaço sobre a situação atual dos professores neste país, face a uma prova de avaliação de conhecimentos.
   Na passada terça-feira,  o ministro Nuno Crato defendeu  a prova de avaliação docente (PACC) como necessária para escolher os melhores professores para os nossos alunos. Mais, afirmou "não faz sentido nenhum que um professor dê 20 erros de ortografia numa frase". Ainda assim, admitiu que a prova não consegue avaliar tudo e considera que "Não se pode ensinar bem o que não se sabe bem".
   A minha posição, mesmo que sendo pouco relevante (não sou ministra, nem pretendo ser), é a seguinte: 
  1. Durante toda a nossa formação superior fomos sujeitos às mais variadas formas de avaliação e se temos um ou mais certificados é porque fomos aprovados pelas instituições competentes. Se as instituições não têm todas a mesma qualidade no ensino, aí há alguma coisa que está mal, que não passa por nós, mas pelo ministério da educação...
  2. Não é suposto  aprender a escrever bem na Universidade, é algo que se deve ter já adquirido...
  3. Será que uma prova, que "não consegue avaliar tudo", consegue dizer-nos quem são os melhores professores? E eu passo a dizer que tive colegas na Universidade com médias superiores à minha, também porque tinham vidas diferentes da minha, que quando confrontadas com a realidade numa sala de pré-escolar ou 1º ciclo, não corresponderam às expectativas e revelaram muitas dificuldades. 
  4. Um bom professor não tem que saber tudo, na hora, um bom professor deve ser capaz de ser humilde e de procurar saber sempre mais...Um professor nunca pára de aprender e aprende mais com os alunos do que se espera...
  5. Um bom professor deve ser primeiro um bom ser humano, capaz de ouvir, capaz de amar  e de compreender as necessidades dos alunos. Quem não tem isto, não pode ser o melhor professor, por mais culto que seja.
  6. Um bom professor deve ser capaz de chegar até ao aluno, porque se não o conseguir jamais conseguirá ensiná-lo...porque ninguém aprende se não quiser.
  7. Um bom professor deve saber contar histórias, cantar, jogar...porque as crianças precisam, por natureza, do lúdico...
   E agora pergunto: A prova consegue avaliar isto tudo?

   É lógico que um professor deve saber o que é esperado, para isso ele estuda...mas para isso existem as Universidades, instituições que ensinam e "decidem" se o professor está apto para lecionar. Certificar uma pessoa é isso...
   E pergunto mais: Então, tendo tirado eu uma Licenciatura e um Mestrado no melhor Instituto de Educação do país e, posteriormente, tendo trabalhado com um grupo de 22 crianças (1 com NEE) e tendo um ótimo feed back do grupo e dos pais, não deveria estar numa outra condição? Estou como uma grande percentagem de educadores/professores deste país: DESEMPREGADA
   Chego a uma conclusão, Sr. Ministro, e concordo com o que diz : "Não se pode ensinar bem o que não se sabe bem".. O Sr. Primeiro Ministro não pode falar bem de uma realidade que não conhece bem...Vá mais ao terreno, vá dentro das nossas salas, dos nossos grandes grupos, das nossas grandes turmas e compreenda as necessidades das nossas crianças, dos nossos professores, das nossas escolas!
Estamos a dar demasiada importância à cultura da nota e estamos a esquecer o que, de fato, as nossas crianças precisam de aprender...