quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015


Mais um dia que passou...devagarinho!
Mais dois currículos enviados...
A noite traz um pouquinho de paz...
Um novo dia para chegar e a esperança que renova...


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Não matem a criatividade!

"Acordai"

 

   No final da manhã, professores do ensino artístico, pais e alunos  juntaram-se para um concerto inédito, conduzido pelo conhecido Maestro António Vitorino Almeida! O objetivo: dar música ao Nuno Crato. "Já que não podes vancê-los, toca para eles"...
   Professores manifestam-se contra a demora nas transferências de verbas da tutela dirigida pelo Ministro Nuno Crato, que tem provocado a acumulação de salários em atraso. Há professores e funcionários que não recebem há seis meses! Há crianças que estão sem aulas, há instituições que, entretanto, fecharam portas...
   É muito triste viver num país que não valoriza os seus professores! É muito triste viver num país que não valoriza  o ensino artístico e não o torna acessível a todos! A Arte é Universal! A Arte é um Direito! Não podemos deixar morrer a criatividade! A Arte chega às nossas crianças e jovens pelas mãos destes senhores...não podemos deixar que os tratem assim...Não expresso a minha indignação só como educadora, mas como mãe de um aluno do conservatório de música, que tem acesso ao curso porque é financiado pelo Fundo Europeu...os seus professores deslocam-se diariamente, fazem kms para ensinar a arte, que muitas vezes não é reconhecida!
   Tenho pena, tenho muita pena...porque este é o caminho que o meu filho quer tomar! E tenho medo por ele e por todos os outros como ele, que anseiam pelo mesmo: um lugar no ensino da arte, do belo, das diversas formas de expressão..
   A música escolhida para fechar o protesto foi a "Acordai", de Fernado Lopes-Graça e letra de José Gomes Ferreira. Na minha opinião, não podia ter sido outra...O que este governo precisa mesmo é de acordar!

Acordai
acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois
das lutas finais
os nossos heróis
que dormem nos covais
Acordai!

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Ser professor é não deixar de ser aluno

Ana Paula Silva (Católica Porto Educação)

A relação pedagógica é uma relação de dois sentidos. É uma relação dialética professor - aluno. 
Esta “inter-relação” permite construir um ambiente de aprendizagem grávido de consequências cognitivas: dá-nos o conhecimento do que o outro conhece mas sobretudo pistas para o conhecer. 

Ser professor passa pela exigência de não abdicar desta condição de aprendente. Estar aberto ao muito que ainda precisamos de saber. Uma espécie de humildade socrática profissional que parte da identificação não das certezas (“quem ousa dizer na nossa profissão que nunca tem dúvidas e raramente se engana?”) mas, dos enigmas quotidianos que nos recentram no essencial: como resolver aquele novo problema pedagógico que nos desafia?

Esta perspetiva generosa da docência deve levar a um exercício intelectual, cognitivo, catártico que é fértil de aprendizagem: colocar-me no lugar do outro. No caso do professor, tentar perceber na resolução desses problemas o lado do aluno. Ver a realidade através dos seus olhos. Podemos estar em completo desacordo com ela, mas (re) conhecê-la ajuda muito a compreender algumas atitudes, comportamentos e até desempenhos que sem esta tentativa são difíceis de desconstruir e por isso de compreender.

Estas é uma das muitas razões pelas quais a formação contínua dos professores é um instrumento de aperfeiçoamento como profissional e até como pessoa.

(Voltar a) estar do lado de lá de uma relação de aprendizagem, trocar o palco pela “carteira”, ensina muito. Sobretudo a valorizar algumas coisas que todos já sentimos e tínhamos esquecido (como eu olho para o formador, como caricaturo a sua atuação, como me deixo envolver pela empatia do seu discurso ou como, na falta desta, me distancio, me desconcentro).
Numa carteira de sala de aula o mundo pode parecer muito pequeno ou infinito. Podemos descobrir os nossos limites ou desafiá-los. Parte da diferença está em quem está no lado de lá. De pé. Como um pelourinho ou como uma seta. E é esta diferença que faz a diferença. Estar no papel do aluno mostra--nos como escolher que tipo de professor queremos ser. E se já sabemos, então sentimo-nos, ainda, mais privilegiados: recordamos porque fizemos essa escolha a e gratificamo-nos por ela.

Embora, a minha perceção de formação contínua de professores não constitua uma relação clássica do binómio- quem ensina e quem aprende - mas uma relação dinâmica de comunidade aprendente, podemos distinguir nela fases de uma relação pedagógica que possibilitam a analogia. O formando acaba por ter dois estatutos que interagem proficuamente: o estatuto latente de professor e um estatuto ativo de aprendiz. A interação dialética destes estatutos, em alturas estratégicas do desenvolvimento profissional podem levar a momentos de reflexão e questionamento que podem reacender vocações, interesse, motivação. A profissão docente não pode correr o risco de se blindar numa esfera cristalizada de uma arquitetura cujos alicerces, à falta de manutenção, vão degradando com o tempo.

Mas não é só com conhecimento científico que devemos reforçar esses alicerces. A formação continua não deve limitar-se ao campo do saber em que o professor se especializou. É também fundamental consolida-lo e conferir-lhe sentido com a pedagogia, a comunicação, a psicologia.

Ao voltar a estar do lado de lá da relação pedagógica temos a oportunidade de ”ver-nos nos olhos do outro”. E a nossa exigência legitima a exigência dos nossos alunos. Até os direitos esquecidos e a ação decisória sobre os pequenos pecados, que agora revindicamos e que, por vezes, punimos sem pesar aos alunos, são aprendizagem.

O questionamento sobre indicações de tarefas avaliativas, formas e tipos de avaliação, o investimento no trabalho de retaguarda e a participação, a relação de tudo isto com critérios e resultados da avaliação, agora vistos na perspetiva não de quem avalia mas de quem é avaliado, podem constituir momentos poderosos de aprendizagem.

É esta contínua dupla personalidade aprendente que nos permite perceber a abrangência reflexiva da adaptação à profissão da afirmação de Albert Einstein que caricatura a incompetência profissional naquele que “ fazendo sempre as coisas da mesma mameira, espera resultados diferentes.”